Economia

Crise deixa sem emprego directores de empresas

  • 28 de Outubro de 2009
  • 212 Visualizações, Última Leitura a 25 Setembro 2017 às 04:20
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Afinal, quem são eles, os que contribuem para as estatísticas do desemprego? Que estórias e ambições? Aos três Centros de Emprego dos Açores afluem diariamente cerca de 600 indivíduos, de ambos os sexos e idades, com diferentes níveis de instrução e experiência profissional (ou mesmo nenhuma).

Em comum têm o desejo de encontrar emprego, ou obter um certificado de competências ou ainda uma formação que lhes permita ganhar currículo e dinheiro em época de crise.

Entre os desempregados encontram-se pelo menos 23 directores de empresas, embora a maioria apresente, de facto, poucas armas para entrar num mercado cada vez mais competitivo e com pouca oferta.

Nos vários grupos profissionais chama a atenção o elevado número de trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio, cerca de 25 por cento do total, precisamente um dos sectores de actividade mais afectados pela crise.

Acrescem outros grupos de risco tais como os operários da indústria e construção civil e ainda o pessoal dos serviços.

O drama é maior quando se verifica o nível de instrução e se percebe, por exemplo, que 11,5 por cento dos desempregados não tem qualquer nível de instrução e que 33 por cento tem apenas o 1º Ciclo.

De modo inverso, 12 por cento atinge o Secundário e um número irrisório - 4 por cento - chegou ao Ensino Superior. Bruno Marques, 27 anos, de Relações Internacionais, é precisamente um desses jovens licenciados que procura emprego. “Sou de Leiria.

Gosto de estar cá na ilha de São Miguel. Apesar de ser complicado em todo o lado penso que aqui ainda é mais fácil arranjar emprego. Estou a tentar há dez meses. Não vou desistir”, garante.

Hélio Castanha, 25 anos, tem um problema diferente pois trabalhava na construção civil e ficou sem emprego. “Agora quero tirar um curso para ter um emprego mais decente e sem tarefas tão pesadas”, explica. Bruno Oliveira, 24 anos, está inscrito há mais de um ano. Diz que trabalhou numa fábrica de lacticínios e que depois esteve nove meses a receber subsídio de desemprego. Entretanto viu a sua inscrição anulada e agora quer tentar de novo. “Estou disposto a fazer de tudo, até a frequentar um curso de cozinheiro, pois tenho uma criança de três meses e a minha companheira está também desempregada. Pagamos 200 euros por mês de renda de casa. Estamos a tentar “desengatar” a nossa vida”, confessa.

Para o director regional do Emprego e Qualificação Profissional, Rui Bettencourt,a grande questão é que o tecido empresarial açoriano está a evoluir e a exigir pessoas cada vez mais qualificadas. “Por exemplo, na construção civil, onde há dez anos qualquer pessoa podia trabalhar, agora não é assim.

As empresas de construção civil que querem ser certificadas têm que ter pessoal certificado. Portanto, a nossa prioridade é qualificar os jovens, os desempregados, os inactivos e também os activos, esses últimos que assim podem manter mais facilmente os postos de trabalho ou mesmo optar por mudar para melhor.

Essa política aplica-se tanto em épocas de normalidade económica como em épocas de crise, porque depois vem a retoma e as habilitações e a experiência contam”, refere. Ainda segundo o governante “é também do interesse dos empresários possuírem trabalhadores qualificados para produzir mais e melhor” num mercado global.

4744 desempregados inscritos em Setembro

Nos três centros de emprego dos Açores - Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta - estavam inscritos, em Setembro, 4744 indivíduos, o que representa um crescimento anual de 51,8 por cento (face a 2008) Homens - mais de metade dos desempregados Dos desempregados inscritos 55,3 por cento pertencem ao sexo masculino.

Para ambos os sexos o grupo etário mais representativo situa-se nos 35 aos 54 anos, mas 21 por cento tem menos de 25 anos Maioria procura novo emprego A maioria dos desempregados inscritos procura novo emprego - cerca de 93 por cento. À procura do primeiro emprego, estão apenas 7 por cento do total de 4744 indivíduos

Esperam oportunidade há menos de um ano

Os centros de emprego dos Açores são dos mais rápidos a dar resposta aos desempregados com 80 por cento dos indivíduos inscritos há menos de um ano. Todavia, para 936, o drama dura há mais de um ano.

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